A
obra intitulada de "Memórias de um colono" reúne relatos de Thomas
Davatz, propõe uma reflexão e análise sobre as condições de vida dos primeiros
imigrantes que chegaram para trabalhar na formação da economia cafeeira de São
Paulo e bem como a introdução da mão de obra livre. Em meados do século XIX, o
Império Brasileiro enfrentava problemas em relação a mão de obra. As buscas por
outras formas de mão de obra foram incentivadas pela proibição do tráfico
negreiro em 1850, que não acabou com a escravidão mas dificultou muito a aquisição
dos escravos.
Assim,
muitos fazendeiros e políticos defendiam a implantação de uma política
imigrante que incentivasse a vinda de pessoas para trabalhar nas lavouras com o
objetivo de suprir a falta de trabalhadores nas grandes lavouras de maneira que
não prejudicasse o seu funcionamento. O governo passou a tomar medidas que
beneficiassem a imigração, inclusive incentivando-a com decretos e leis com
políticas que garantiriam algum direito ao estrangeiro:
"A
Lei de Terras, de 1850, regulamentada em 1854. Estimulava a vinda de
estrangeiros, pois os artigos 17 e 18 dessa lei autorizavam o governo a trazer
imigrantes para serem empregados em estabelecimentos agrícolas, em serviços
dirigidos pela administração pública ou para formarem colônias." (MARTINS,
Ana Luiza & COHEN, Ilka Stern. O Brasil pelo olhar de Thomas Davatz
(1856-1858) 2000. p. 25)
A lei de terras
possuía artigos em relação às terras desocupadas do Império: "LEI Nº 601,
DE 18 DE SETEMBRO DE 1850 51
Art.
17. Os estrangeiros que comprarem terras, e nelas se estabelecerem, ou vierem a
sua custa exercer qualquer indústria no paíz, serão naturalizados querendo,
depois de dous anos de residência pela fórma por que o foram os da colônia de
S. Leopoldo, e ficarão isentos do serviço militar, menos do da Guarda Nacional
dentro do município.
Art.
18. O Governo fica autorizado a mandar vir anualmente à custa do Tesouro certo
numero de colonos livres para serem empregados, pelo tempo que for marcado, em
estabelecimentos agrícolas, ou nos trabalhos dirigidos pela Administração
pública, ou na formação de colônias nos lugares em que a estas mais convierem;
tomando antecipadamente as medidas necessárias para que tais colonos achem
emprego logo que desembarcarem. Aos colonos assim importados são aplicáveis as
disposições do artigo antecedente." (Fonte: Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_ 03/LEIS1L0601-1850.htm>)
Nesse
contexto, demonstravam que a necessidade de mão de obra era imediata. A
legislação era revisada e apromimorada com intuito de atender os interesses e
necessidades dos grandes produtores. E assim, outras formas de trabalho
passaram a coexistir com o sistema escravista.
As
soluções buscadas no momento tiveram vantagens e inconvenientes. É citado por
exemplo por Thomas Davatz a questão das dívidas que faziam residentes das
fazendas viverem em condições precárias e mal sobreviverem.
"[
... ] a situação das dívidas contraídas por numerosos colonos é realmente
horripilante e para atestar como a crença tão corrente na Europa de que nas
tais colônias é possível em poucos anos e facilmente, a qualquer pessoa,
libertar-se das suas dívidas, não passava de uma doce ilusão. Essas dívidas
além do café mal pago, das despesas da comissão, do processo de redução do
dinheiro à moeda do país, das somas destinadas à viagem e da estranha divisão
dos lucros da venda do café esclarecem bem as queixas dos colonos [ ... ]
Algumas famílias, que um ano antes contavam com um pequeno saldo ativo e que
eram das mais diligentes e parcimoniosas em toda a colônia, estavam reduzidas
então a haveres muito mais escassos, quando não com alguma dívida o que
implicava num retrocesso a condições inferiores, sem haver um grande capital
exigindo pagamento de juros. A maior parte das outras famílias, sempre que não
pudessem amortizar aos poucos sua dívida com dinheiro europeu, viviam
sobrecarregadas de dívidas muito maiores do que quando chegaram a Ibicaba,
embora já então estivessem oneradas com a comissão exigida, os preços da
viagem, etc. Certos exemplos, que escolhi apenas entre famílias das mais ativas
e econômicas, servem para comprovar semelhante afirmativa" (DAVATZ,
Thomas. p.128.)
A busca dessa mão de
obra foi apenas a solução do momento. A mudança do regime de trabalho foi um
processo longo e gradativo, coexistindo a permanência de escravos e
trabalhadores livres. Essa transformação implicava em mudanças no modo de viver
e de se organizar. Assim, a pressão social e preocupação dos fazendeiros
contribuíram para introdução do trabalho livre no Brasil.
Banco Digital do Carlota Schmidt Memorial Center. Autor Desconhecido. Escravas na casa de máquinas. Acervo Dra. Lotte Köhler.
Ouça abaixo o podcast sobre a importancia das Cotas Raciais como ações afirmativas no Brasil
~~COTAS RACIAIS~~







Parabéns ao grupo de acadêmicos [Filippo, Vitória e Ovidio] pelo trabalho de arte no layout da página, pela pesquisa de Brasil Império e pelas postagens dos podcasts narrado por Felippo...
ResponderExcluirMuito pertinente a postagem do documento (carta de um imigrante alemão)...
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