domingo, 1 de dezembro de 2019

O Café

“...se tudo isso se processou em S. Paulo mais acentuadamente do que em outras províncias, não foi por circunstâncias apenas fortuitas e nem apenas porque o café encontrasse aqui terras mais propícias. Foi em primeiro lugar pela carência nessa província de uma tradição agrícola realmente grande e próspera, com quadros definitivos que não deixassem ver no presente o que o presente reclama e repele.” (DAVATZ, Thomas. “Memórias de um Colono no Brasil. 1850. P 14)


O Brasil, à época referida no texto escrito por Thomaz Davatz e traduzido pelo historiador Sergio Buarque de Holanda, no século XIX, deveu sua economia a crescente cultura do café, que foi o ciclo econômico que trouxe a industrialização para o Brasil e reorganizou a estrutura econômica vigente, enriquecendo uma nova classe e uma nova região. Antes os antigos senhores do açúcar do nordeste brasileiro, agora os Barões do café do sudeste, que, em parceria com o governo regencial, manejou essa reorganização.
O café, assim como o açúcar, necessitava de um solo controlado por queimadas, para que os frutos rendessem mais, e a temperatura um pouco mais amena do Sudeste se adequou a essa cultura. Mas muito além disso, desde sempre aquela região era carente de uma cultura forte, pois uma nova classe de homens, com suas ideologias liberais, viu no café a possibilidade de um próspero desenvolvimento e de uma mudança tecnológica significativa para aquela região. Estradas de ferro começaram a rasgar o território para escoar a produção por toda a região sudeste, mas precisamente do estado de São Paulo, onde houve essa mudança na arquitetura econômica, porém durante muito tempo, a escravidão ainda foi responsável pelos lucros desse novo ciclo econômico. Algumas propriedades privadas começaram a ensaiar o trabalho livre já praticado na Europa, uma vez que o tráfico negreiro já havia sido abolido e os estudos acerca das vantagens desse novo tipo de força braçal, mais condizentes com o capital crescente, já estavam entrando em vigor em algumas regiões, mesmo que ainda demorasse para que a escravidão fosse de fato abolida em lei, e mais ainda para que a mentalidade escravista, cultivada a tempos, fosse substituída. Segundo Caio Prado:   
       
“o escravo corresponde a um capital fixo cujo ciclo tem a duração da vida de um indivíduo; assim sendo, mesmo sem considerar o risco que representa a vida humana, forma um adiantamento a longo prazo de sobretrabalho eventual a ser produzido; e portanto um empate de capital. O assalariado, pelo contrário, fornece aquele sobretrabalho sem adiantamento ou risco algum. Nestas condições, o capitalismo é incompatível com a escravidão; o capital, permitindo dispensá-la, a exclui. É o que se deu com o advento da indústria moderna”2 .( PRADO JR., C. Formação econômica do Brasil. 19ªed., São Paulo : Brasiliense, 1976[1945]. 34)

No relato escrito por Davatz, ele vai apresentar a cultura cafeeira do seu ponto de vista de um colono Suíço que por meio de um acordo feito entre o Governo Regente e o proprietário particular Nicolau Vergueiro, dono da fazenda Ibicaba, no interior do estado de São Paulo, foi trazido, junto com outras famílias, para a experiência do Trabalho livre em coexistência com a escravidão.  Essas famílias vieram para o Brasil sob o regime de “parceria”, onde parte do lucro da produção do café era para elas destinada, além de poderem produzir na terra gêneros destinados à sua subsistência.
 E durante muito tempo a cafeicultura foi o principal ciclo econômico que trouxe ao Brasil essa industrialização, enriqueceu muitos homens. E foi durante o ciclo do café, que gradualmente se testemunhou a mudança na força braçal que a fazia prosperar, da escravidão para o trabalho livre, nacional ou do colono europeu, perdurando o ciclo cafeeiro até a crise de 1929.

Partida para a colheita de café no Vale do Paraíba. c.1885. Foto: Marc Ferrez


De onde surgiu o Café? Como ele chegou até o Brasil? Ouça pelo link abaixo o podcast sobre a origem desta fruta que é a bebida mais consumida em todo o mundo.

~~ A ORIGEM DO CAFÉ ~~

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