O Brasil, à época referida no
texto escrito por Thomaz Davatz e traduzido pelo historiador Sergio Buarque de
Holanda, no século XIX, deveu sua economia a crescente cultura do café, que foi
o ciclo econômico que trouxe a industrialização para o Brasil e reorganizou a
estrutura econômica vigente, enriquecendo uma nova classe e uma nova região.
Antes os antigos senhores do açúcar do nordeste brasileiro, agora os Barões do
café do sudeste, que, em parceria com o governo regencial, manejou essa
reorganização.
O café, assim como o açúcar,
necessitava de um solo controlado por queimadas, para que os frutos rendessem
mais, e a temperatura um pouco mais amena do Sudeste se adequou a essa cultura.
Mas muito além disso, desde sempre aquela região era carente de uma cultura
forte, pois uma nova classe de homens, com suas ideologias liberais, viu no
café a possibilidade de um próspero desenvolvimento e de uma mudança
tecnológica significativa para aquela região. Estradas de ferro começaram a
rasgar o território para escoar a produção por toda a região sudeste, mas
precisamente do estado de São Paulo, onde houve essa mudança na arquitetura
econômica, porém durante muito tempo, a escravidão ainda foi responsável pelos
lucros desse novo ciclo econômico. Algumas propriedades privadas começaram a
ensaiar o trabalho livre já praticado na Europa, uma vez que o tráfico negreiro
já havia sido abolido e os estudos acerca das vantagens desse novo tipo de
força braçal, mais condizentes com o capital crescente, já estavam entrando em
vigor em algumas regiões, mesmo que ainda demorasse para que a escravidão fosse
de fato abolida em lei, e mais ainda para que a mentalidade escravista,
cultivada a tempos, fosse substituída. Segundo Caio Prado:
“o
escravo corresponde a um capital fixo cujo ciclo tem a duração da vida de um
indivíduo; assim sendo, mesmo sem considerar o risco que representa a vida
humana, forma um adiantamento a longo prazo de sobretrabalho eventual a ser
produzido; e portanto um empate de capital. O assalariado, pelo contrário,
fornece aquele sobretrabalho sem adiantamento ou risco algum. Nestas condições,
o capitalismo é incompatível com a escravidão; o capital, permitindo
dispensá-la, a exclui. É o que se deu com o advento da indústria moderna”2 .( PRADO
JR., C. Formação econômica do Brasil. 19ªed., São Paulo : Brasiliense, 1976[1945].
34)
No relato escrito por Davatz,
ele vai apresentar a cultura cafeeira do seu ponto de vista de um colono Suíço
que por meio de um acordo feito entre o Governo Regente e o proprietário particular
Nicolau Vergueiro, dono da fazenda Ibicaba, no interior do estado de São Paulo,
foi trazido, junto com outras famílias, para a experiência do Trabalho livre em
coexistência com a escravidão. Essas
famílias vieram para o Brasil sob o regime de “parceria”, onde parte do lucro
da produção do café era para elas destinada, além de poderem produzir na terra
gêneros destinados à sua subsistência.
Partida para a colheita de café no Vale do Paraíba. c.1885. Foto: Marc Ferrez
De onde surgiu o Café? Como ele chegou até o Brasil? Ouça pelo link abaixo o podcast sobre a origem desta fruta que é a bebida mais consumida em todo o mundo.
~~ A ORIGEM DO CAFÉ ~~
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